Singular

Colocou os dois celulares em cima da mesinha ao lado da cama. Logo após retirou os pequenos brincos e o libertou seus cabelos ruivos presos por um elástico. O relógio digital marcava 23:18 e ela só queria deitar em sua cama quente. Após um banho tranquilo e cheio de pensamentos, deitou-se vestindo uma camisola de algodão. Rolou algumas vezes procurando o melhor jeito para dormir até que o encontrou. Seus olhos fecharam automaticamente por causa do cansaço porém seu cérebro não parava de trabalhar, não enquanto seu coração doía. Saudade enlouquece e machuca.
Uma cama de casal já diz pelo nome que é para ser ocupada por duas pessoas e por que ela estava sozinha? Um peso ao lado da cama seria bastante confortável. Não é a toa que assim que teve o pensamento arrumou seus travesseiros verticalmente simulando uma pessoa e abraçou. Quanto tempo estava lá escutando seus batimentos cardíacos e sentindo sua respiração lenta, não sabia. Sabia que tentou abafar um ou dois gritos de desespero e sua garganta doía. Flashs de braços tocando braços, sorrisos olhando sorrisos e olhos sorrindo para olhos, espantavam cada vez mais o sono. Entretanto, seu corpo implorava por um descanso. Olhou seus celulares com uma tentativa frustrada de receber alguma notícia e se convenceu que a noite seria dela. Singularmente, dela.

(domingo, 23 de janeiro de 2011)

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