Qualquer forma de amor vale a pena.

Vento gelado ininhava meu cabelo.
Minha boca estava seca.
Os primeiros raios de sol começaram a invadir o céu aquarelando minha vista.
Eu estava com frio a procura de água de côco na orla da praia e alguma forma de voltar para casa.
Fugira de um lugar com sorrisos demais, abraços demais e amor de menos.
O mar estava em festa e minha curiosidade em saber qual era a comemoração me dominou.
A avenida silenciosa só me confirmou que era domingo.
Domingo.

Encarei meu celular por alguns segundos.
A decisão de como voltar para casa estava em minhas mãos.
Podia escolher entre um táxi ou um par de olhos escuros confortantes.
A questão é que eu não tinha escolhas, eu precisava enxergar um pouco a janela da vida humana.
Liguei uma… Duas… E na terceira vez fui atendida.

– Preciso de você.
– Aonde?

Disse exatamente minha localização.
Agora eu tinha um côco nas mãos e um cabelo completamente bagunçado.
O cheiro da maresia me indicava que eu estava o mais longe possível de ir sem me molhar.
Tentei desenhar com o dedo na areia qualquer coisa me fizesse desabafar.
Foi o tempo de beber toda a água que ele chegou.
Tempo totalmente sincronizado.
Tudo tão perfeito…

Joguei o que tinha nas mãos na primeira lata de lixo.
Fui caminhando lentamente em direção ao carro e já tinha desistido de colocar ordem no meu cabelo.
Abri a porta do carro preto e ele estava lá.
Camisa branca surrada, short vermelho.
Seu rosto de sono e desorientação me fizeram sorrir.
Ele estava lá por mim.
Como sempre.

Lembrei de quando aconteceu o inverso.
Eram 21h40 de uma quinta-feira, quando ele me ligou.

– Preciso de você.
– Aonde?

Cheguei em sua casa e o encontrei esparramado no sofá, chorava que nem um bebê.
Uma taça de vinho cheia em cima do centro e outra vazia fazendo companhia.
Joguei minha bolsa no chão, corri para o seu encontro e o abracei até se acalmar.
“Desculpe-me, desculpe-me… É o aniversário da sua irmã…”
“Shh…”
Adormecemos do mesmo jeito que estávamos.
Trocando além do calor do corpo, proteção.

E era justamente isso que eu precisava naquele momento.
Me encarar no reflexo dos seus olhos.
Sentir por dentro que meu mundo não está perdido.
Sabíamos o quanto isso era importante um para o outro.
E estava claro que o seu abraço era a única casa que eu precisava.

Inexplicável, precisamos da nossa forma de amor.

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