Gato

Meu gato se chama Gato, tem dois anos e não sai do meu colo. Coloquei um pingente, recém comprado, numa coleira bem delicada. Ficou um charme. A loja onde eu comprei (o pigente, porque o Gato me escolheu na rua) é uma loja colecionadora de antiguidades. Me bate um frio na barriga quando vejo tantas coisas antigas. Tanta história resumida em um lugar só. Sofrimento, mortes, alegrias, nascimentos… Não é estranho saber que pessoas, ou gatos, usaram esses objetos estão mortos? E de uma forma conseguiram eternizar sua história? Um mundo completamente diferente, com costumes diferentes, verdades diferentes. E eu? Como farei pra eternizar a minha história? Foi aí que me surgiu a ideia de escrever um livro. Não sei se me surgiu, ou foi o Gato que me sugeriu no meio de um miado, acontece que peguei meu diário antigo, e pouco usado, comecei a escrever, de olhos fechados, formas de minha história se tornar presente não importando o tempo. E o Gato? Ah… Ele está deitado nos meus ombros e brincando com minha nuca.

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