sentei e esperei o final do expediente dela. gostava de apreciar as pessoas nos seus dias corridos e sem cor. o banco em que estava  dava de frente para uma fonte no centro da praça e me perdi observando a dança da água. por um momento observei a chegada de uma mulher com ar de menina com seus fones de ouvido e cantarolando qualquer tipo de som dançante. dava pra ver que ela era dela e que o mundo não importava tanto quanto o seu bem estar. fiquei intrigado como uma pessoa pode ser feliz no meio de tanto caos e desamor. com certeza quem se aproximar com uma vibração menor seria expelido. me perdi no seu sorriso e seu inglês mal pronunciado, o jeitinho que parecia dançar fazia algumas partes do meu corpo querer acompanhar. só quando olhei seus olhos, que por acaso encontraram os meus, percebi que aquela menina-mulher era a minha que sempre esperei nesse banco. a minha mulher era tão bem com sua própria companhia que nem eu mesmo a reconheci.

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