As damas e um valete.

– escolha. – mostro 3 cartas de baralho voltadas para baixo.

– qualquer uma? – ela me responde.

– isso, tente a sorte. – lhe entrego meu melhor sorriso.

ela escolhe a da direita e meu sorriso murcha.

– valete de espada. – suspiro.

a típica loira de olhos azuis desvira a carta que revela um jovem metido a rei.

– por que essa cara? não esperava que eu escolhesse esta? – ela me pergunta curiosa.

– na verdade, eu poderia te dar apenas a carta que quero, mas dei a opção para o destino e você escolherem. não sou dona de nada.

– então porque deixou de sorrir? estava começando a gostar. – um riso de meia boca aparece em seu rosto.

– não gosto quando o destino não concorda comigo, mas tento ser amiga dele.

– eu posso pegar outra carta – ela se moveu ao encontro das duas outras opções.

– pode. mas você já pegou o valete e isso não vai mudar.

– tem certeza? e se eu quiser esta agora? – a loira puxa a carta do meio que agora ocupou a antiga direita.

– rainha de copas. bem interessante, não é mesmo? – digo realmente querendo que ela tivesse escolhido esta.

– prefiro essa. não muda meu destino?

– até sim, moça, mas você vai ser sempre um valete.

– estou condenada? – seus olhos misteriosos acompanham uma sobrancelha levantada.

– para sempre.

seus cabelos dourados voaram para trás e riu. deve estar se perguntando porque uma louca anda com apenas três cartas de baralho no bolso.

– decidi alguma coisa por você? – mais uma curiosidade.

– sim.

– o que, posso saber?

– me impediu de comprar mais uma carteira de cigarro.

– isso não é bom?

– talvez. pelo menos tenho o último. – acendi e traguei.

– é assim que começa suas novas amizades?

– espero que não.

– por que não?

– porque não quero uma amizade com você.

– o que você quer comigo?

– isso era se você escolhesse a carta da esquerda – viro a última carta que se mostra um as de espada.

– o que significa?

– pergunte a si mesma ou talvez ao destino.

saí acompanhada do meu, talvez, último cigarro.

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