cantinho

Um cantinho. O meu cantinho.
Que eu possa encostar meu rosto e fechar meus olhos sem medo.

Um cantinho que respire, que tenha batimentos cardíacos, que esteja vivo internamente.
Receber a essência, o calor, a alma, a paz.
A tranquilidade de uma solidão acompanhada.
Ser envolvida por sentimentos, silêncio, afeto.
Apreciar e me encantar pela pureza de uma presença que veio para fazer o bem.
Você é assim pra mim.
E eu quero ser tudo isso pra você.

As damas e um valete.

– escolha. – mostro 3 cartas de baralho voltadas para baixo.

– qualquer uma? – ela me responde.

– isso, tente a sorte. – lhe entrego meu melhor sorriso.

ela escolhe a da direita e meu sorriso murcha.

– valete de espada. – suspiro.

a típica loira de olhos azuis desvira a carta que revela um jovem metido a rei.

– por que essa cara? não esperava que eu escolhesse esta? – ela me pergunta curiosa.

– na verdade, eu poderia te dar apenas a carta que quero, mas dei a opção para o destino e você escolherem. não sou dona de nada.

– então porque deixou de sorrir? estava começando a gostar. – um riso de meia boca aparece em seu rosto.

– não gosto quando o destino não concorda comigo, mas tento ser amiga dele.

– eu posso pegar outra carta – ela se moveu ao encontro das duas outras opções.

– pode. mas você já pegou o valete e isso não vai mudar.

– tem certeza? e se eu quiser esta agora? – a loira puxa a carta do meio que agora ocupou a antiga direita.

– rainha de copas. bem interessante, não é mesmo? – digo realmente querendo que ela tivesse escolhido esta.

– prefiro essa. não muda meu destino?

– até sim, moça, mas você vai ser sempre um valete.

– estou condenada? – seus olhos misteriosos acompanham uma sobrancelha levantada.

– para sempre.

seus cabelos dourados voaram para trás e riu. deve estar se perguntando porque uma louca anda com apenas três cartas de baralho no bolso.

– decidi alguma coisa por você? – mais uma curiosidade.

– sim.

– o que, posso saber?

– me impediu de comprar mais uma carteira de cigarro.

– isso não é bom?

– talvez. pelo menos tenho o último. – acendi e traguei.

– é assim que começa suas novas amizades?

– espero que não.

– por que não?

– porque não quero uma amizade com você.

– o que você quer comigo?

– isso era se você escolhesse a carta da esquerda – viro a última carta que se mostra um as de espada.

– o que significa?

– pergunte a si mesma ou talvez ao destino.

saí acompanhada do meu, talvez, último cigarro.

Tempo

senta aqui e deixa eu te contar.
se importa se eu acender um cigarro?
é que às vezes o nascer do sol me traz frio.
um ano atrás meu coração estava rindo,
hoje também.
mas não é interessante quando conseguimos parar um momento?
é único e ao mesmo tempo eterno.
um segundo se propaga com uma força tão grande!
e já não é passado, nem futuro. é presente.
faça um pedido, já se foi a última estrela.

não sou: nada.

sento na frente desta folha em branco, penso no que escrever e meus pensamentos voam.

quero falar que a felicidade é só uma questão de percepção.

declarar o quanto estou grata em amar alguém e ser amada na mesma intensidade.

informar que tudo é lindo e se não lhe parece dessa forma, tenho certeza que o que tem que fazer é mínimo para mudar. porque nosso caminho natural é a felicidade, nós estamos vivos para sermos felizes. não adianta insistir na tristeza e achar que tudo é errado. a alegria foi feita para acabar com essa teimosia.

fé no coração, paz na alma.

e que eu não seria nada sem o amor.